O “Bem Estar” fala sobre quatro tipos de fome: a física, a emocional, a social e a vontade de comer!

Teste: será que a sua fome muda conforme o preço da comida? Se o preço é fixo e tudo liberado, a fome aumenta? Para separar a fome da vontade da comer e para juntar saúde do bolso com saúde do corpo, duas especialistas participam do programa, a endocrinologista Alessandra Rascoviski e a nutricionista Sophie Deram.

 
FOME FISIOLÓGICA – Esse tipo de fome é do corpo, das células, e qualquer alimento disponível pode resolver o problema. Geralmente, ela aparece por volta de 3-4h após a última refeição.

Quem controla essa fome é o hormônio grelina, presente no estômago. A grelina aumenta e sinaliza para o cérebro que o corpo precisa de alimento, ou seja, que estamos com fome. Assim que o alimento chega ao estômago, a grelina baixa. No intestino, a liberação do hormônio GLP1 sinaliza ao cérebro que estamos satisfeitos.

Dica do Bem Estar – Demora em torno de 20 minutos entre o alimento na boca e a liberação do GLP1 para o cérebro entender que não precisamos de mais comida. Por isso, a dica de comer devagar e mastigar bastante é essencial para comer menos.

FOME SOCIAL – É a fome que está relacionada a uma situação: uma festa, uma reunião de amigos, um rodízio. É quando temos muito alimento disponível e comemos de forma automática, sem pensar e, por isso, muito mais do que precisamos. É o momento de exagerar, o que é normal para o ser humano.

 Dica do Bem Estar – Quando a pessoa está em processo de reeducação alimentar, esses exageros podem ser uma armadilha. Uma dica é comer antes do evento para eliminar a fome física e ir ao evento apenas com a fome social, assim é possível escolher de maneira mais consciente o que vai comer.
Restringir a alimentação das crianças pode estimular a compulsão

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FOME ESPECÍFICA OU VONTADE DE COMER – Não precisa estar grávida para ter desejos relacionados à comida. Quem nunca sentiu vontade de comer algo bem específico? Os doces são os campeões dessas vontades e estão relacionados com o prazer. Essa fome não é urgente e é bem específica, está relacionada ao prazer e ao gosto do alimento.

Dica do Bem Estar – Coma o que está com vontade de forma consciente. É um chocolate, um pedaço de bolo, um sorvete? Pegue uma porção e saboreie sentindo o gosto do alimento, comendo devagar, com atenção plena naquela situação para evitar a perda de controle.

Os alimentos ricos em gordura e açúcar ativam o ciclo de recompensa do cérebro liberando dopamina e serotonina, responsáveis pela sensação de prazer. Por isso, os doces estão relacionados com essas vontades específicas, eles são cheios de gordura e açúcar e ativam esse ciclo.

FOME EMOCIONAL – Muitas pessoas não comem porque sentem a necessidade do alimento e sim por tédio, cansaço, ansiedade e até sede. É a fome emocional! Ela não é necessariamente uma fome ruim, que precisa ser inibida, mas é importante saber que a fome emocional traz um alívio no momento de comer, mas não resolve os problemas de tristeza, angústia, ansiedade, tédio, dor, etc.

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Dica do Bem Estar – Esse tipo de fome está ligada às dietas e às vontades reprimidas. Na fome emocional, o sabor não é importante, mistura-se tudo. A pessoa come sem pensar e depois vêm os pensamentos “Não era isso que eu queria”, “Nada me satisfaz”. Pensar em outras atividades prazerosas é a dica para fugir da comida quando esses sentimentos aparecem.

MARMITA – Três conceitos podem diferenciar a fome da vontade de comer: quantidade, qualidade e programação. A quantidade está relacionada com a saciedade, o quanto de comida vai satisfazer, então preste atenção aos sinais do corpo e coma de forma consciente. Para comer menos, a qualidade tem que ser boa, porque os alimentos de verdade dão mais saciedade que os industrializados. Por isso, quanto mais alimentos naturais, mais saciedade e menos comida.

Dica do Bem Estar – Se programe ao pensar na alimentação: quando entrar em um restaurante por quilo, olhe todo o buffet antes de fazer o prato, prepare cardápios para a sua semana e faça as compras de forma consciente.  A marmita é uma ótima opção para programar a alimentação. Você sai do automático e pensa melhor no que vai comer. A dica é fazer a marmita quando não está com fome, assim não coloca mais comida que o necessário.